AVALIAÇÃO DE RECURSOS GEOTERMAIS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

Antonio Jorge de Lima Gomes* (ajlgomes@on.br) e Valiya M. Hamza (hamza@on.br) - OBSERVATÓRIO NACIONAL, Brasil

 


Copyright 2003, SBGf - Sociedade Brasileira de Geofísica

This paper was prepared for presentation at the 8th International Congress of The Brazilian Geophysical Society held in Rio de Janeiro, Brazil, 14-18 September 2003.

Contents of this paper were reviewed by The Technical Committee of The 8th International Congress of The Brazilian Geophysical Society and does not necessarily represents any position of the SBGf, its officers or members. Electronic reproduction, or storage of any part of this paper for commercial purposes without the written consent of The Brazilian Geophysical Society is prohibited.

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Abstract

Results of geothermal investigations carried out at 72 localities (in 30 municipalities) have been used in evaluating thermal energy resources of the State of Rio de Janeiro. The investigations included measurements of geothermal gradient and thermal conductivity as well as determination of heat flow density. In most areas heat flow is found to be low to normal, being less than 60mW/m2. However in several isolated areas, generally close to localities of alkaline intrusions and fault systems, heat flow is found to be higher than normal, reaching values in excess of 100 mW/m2. The data were used in preapring maps of gradient and heat flow, which in turn were employed in determining temperature profiles of the upper crust and in assessment of resouces based on the volumetric method.

The results obtained indicate that the overall resource base is about 1.03 x 1023J. The accessible resource at depths of less than 3 km is estimated as 9,3x1021J. The recoverable fraction of this resource is estimated at 4,7x1020J. The geographic distribution of resources indicates however considerable variations, apparently related to the geologic characteristics of the main tectonic units.

Introdução

No período de 1999 a 2002 foi realizado para um programa de avaliação de recursos geotermais em escala regional no estado de Rio de Janeiro. Como parte deste projeto foram efetuadas medidas de gradiente e do fluxo geotérmico em 72 localidades, distribuídos em 30 municípios. Esses resultados foram utilizados na avaliação de recursos de energia térmica na crosta superior sob a área de estudo.

Os gradientes térmicos foram determinados por três métodos distintos: o convencional (CVL), o de temperatura convencional do fundo de poço (CBT) e o aquífero (AQT). Utilizamos também dados de fontes termais de Hurter et al (1987, 1983) com geotermômetros de SiO2, Na/k e Na-K-Ca.

O mapeamento do gradiente e do fluxo geotérmico permitiu a avaliação das variações no campo térmico na área de estudo.

O método de volume (Muffler e Cataldi, 1977 e 1978) foi utilizado para a avaliação dos recursos geotermais.

Metodologia

Recursos geotermais consistem basicamente de energia geotermal, então avaliar recursos geotermais consiste em estimar a energia térmica em subsuperfície para uma determinada região. Recurso Geotermal é uma parte do recurso base, incluindo as reservas, o qual pode tornar-se viável sua exploração para certas condições tecnológicas e econômicas. (Netschert, 1958, Schurr e Netschert, 1960). O recurso base (RB) é a soma total de toda a energia geotérmica existente na crosta terrestre em uma determinada área ou região (Muffler e Cataldi, 1977 e 1978).

O cálculo do Recurso Base (Q) foi efetuado utilizando a seguinte relação:

          (1)

onde r é a densidade média da crosta superior, cp  o calor específico, A área, T a temperatura na profundidade Z. e T0  a temperatura anual média da região.

No caso de regime térmico estacionário e produção de calor constante o excesso de temperatura (TE = T – T0) pode ser estimado usando a seguinte relação:

   (2)

onde q0 é a densidade de fluxo de calor, k a condutividade térmica e A0  taxa de produção de  calor.

A integração da equação (2) e a sua substituição na equação (1) permitem determinar recurso associado ao excesso de temperatura (TE):

     (3)

De acordo com a prática adotada por Muffler e Cataldi (1978) utilizou-se o valor de 10 km para a profundidade de referencia no calculo de recurso base.

O uso da equação (3) exige avaliação de gradiente e fluxo geotérmico. Utilizamos a temperatura To das normais climatológicas do Ministério da Agricultura (1969) e os métodos descritos por Kappelmeyer e Haenel (1974, 1988), Ribeiro (1987), Hamza et al (1981 e 1996) e Santos et al (1986).

Para calculo do gradiente geotérmico, pelo método CVL, determinamos a taxa de variação entre as temperaturas (DT) e a profundidade do poço (DZ). No método CBT o gradiente determina-se pela razão entre a diferença da temperatura do fundo do poço (Tfp) e a temperatura anual média da superfície  da região (To) pela diferença da distância vertical entre os dois pontos (DZ). De acordo com Santos et al (1986) o gradiente CBT será:

          (4)

No método geoquímico as temperaturas em profundidade foram calculadas com base nas fórmulas de:

-Fournier (SPV-1981):

Tp = [1309/(5.19 - log C)] - 273.15             (5)

-Fournier (PMV-1981):

Tp = [1522/(5.75 - log C)] - 273.15             (6)

-Verma (1995):

Tp= C1 +C2S + C3S^2+ C4S^3 + C5 log S      (7)

O gradiente é então determinado por:

G= (TZ - T0)/(m * λ)               (8)

onde TZ é a temperatura na profundidade z, G o gradiente térmico, m uma constante e λ a condutividade térmica média. O fluxo geotérmico (q) é determinado pela lei de Fourier que aplicada num meio isotrópico (Kappelmeyer et al, 1974), nos apresenta:

q = G . lm  ± sq           (9)

onde: lm a condutividade média da subsuperfície, G  o gradiente térmico e sq o desvio padrão.

Resultados de perfilagens térmicas

Os gradientes determinados pelo método Convencional CVL são apresentados na Tabela (1).

Tabela 1 – Valores dos gradientes CVL.

Município

Local

Gradiente ( ºC/Km )

Valor

σg

Angra dos Reis

Bonfim

46

2,2

 

Virada Leste

23

1,1

Campos

Baixa Grande

19

9,3

 

Boa Vista

26

0,5

 

São Sebastião

35

38,5

 

Horto

19

0,3

Duas Barras

Centro

15

0,2

 

Centro

15

0,1

 

Centro

17

12,8

Maricá

Manoel Ribeiro

20

10,2

Miracema

Centro

20

12,8

Niterói

Cafubá

14

0,1

Paraíba do Sul

Cruz das Almas

17

10

Porciúncula

Santa Clara

13

0,4

Resende

Centro

62

1,68

 

Centro

26

20

Rio Claro

PassaTres

39

15,1

Saquarema

Gj. S. Antonio

15

0,3

S.Seb.do Alto

V.Barro-Centro

7

0,14

 

V.Barro-Centro

9

19,2

Seropédica

Orfanato

23

0,13

 

P.S.Piranema

22

0,16

Teresópolis

Meudon

22

0,16

 

Faz. Texas

22

0,02

 

Meudom

20

0,02

 

Barra do Imbui

21

0,02

Vassouras

Massambará

14

0,06

Volta Redonda

Padre Josimo

20

14,2

 

Os gradientes obtidos pelo método de temperatura do fundo do poço (CBT) e aquífero (AQT) são apresentados na Tabela (2).

Tabela 2 – Valores dos Gradientes CBT e AQT.

Município

Local

Gradiente (ºC/Km)

CBT

σg

Cambuci

Monte Verde

25

11,9

Campos

Consel. Josino

21

13,6

Carapebus

Centro

30

11,1

Cordeiro

Matadouro

20

0,5

Duas Barras

Centro

16

12,8

Itaocara

Cel. Teixeira

19

0,2

 

Jaguarembé

17

10

Itatiaia

Xerox 2

17

11,1

Laje de Muriaé

Centro

23

10

Maricá

Manoel Ribeiro

26

13,1

 

Manoel Ribeiro

23

15,1

Miguel Pereira

Centro